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ÁGUAS DE MARÇO (letra e vídeo) com ELIS REGINA e TOM JOBIM, vídeo MOACIR SILVEIRA
Considerada pelo jornal Folha de São Paulo como melhor música brasileira de todos os tempos, conforme enquete realizada junto a 214 pessoas entre jornalistas especializados. “Águas de Março”, escrita em 1972 por Tom Jobim (1927-1994), teve sua preferência confirmada também em votação realizada na internet.
Ela veio a público pela primeira vez graças a um projeto de Sérgio Ricardo, conhecido músico da bossa nova. Em colaboração com o jornal “Pasquim” ele elaborou a série “Disco de Bolso”, no formato compacto simples.
Há quem afirme que “Águas de Março” foi inspirada em tema folclorico. “Água do Céu” é o título de uma das faixas do disco “Cinco Estrelas Apresentam Inara”, lançado em 1956. Com interpretação de Leny Eversong (1920-1984) esta canção tem versos religiosos em muito semelhantes na estrutura melódica e na letra com “Águas de Março”: ... “é chuva de Deus / é chuva abençoada / é água divina / é alma lavada”.
Para o pesquisador José Ramos Tionhorão, implacável crítico da bossa nova, essa versão nada mais é do que uma adaptação de um ponto de umbanda recolhido em 1933 por J.B. de Carvalho, que diz: ... “é pau, é pedra, é seixo miúdo / roda baiana por cima de tudo”.
O crítico musical Luís Antônio Giron, admirador de Tom, afirma que a música não deveria figurar entre as maiores por ser cópia de tema folclórico. Ele lembra que “Villa-Lobos também se apropriava de temas populares, mas sempre citava as fontes.
ÁGUAS DE MARÇO
De: Tom Jobim
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.
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28-09-2022
Anos 70
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