''O AUDIO DO VIDEO NÃO FICOU DOS MELHORES, MAS A SINFONIA DE IDEIA É TÃO FINA QUE VAI PRO AR MESMO ASSIM''
Nos últimos anos, observo com olhos críticos essa dança doentia que a humanidade tem se entregado, uma coreografia macabra ditada pelo avanço desenfreado da tecnologia, com a pandemia se agarrando aos nossos calcanhares como um amante possessivo e ciumento. Como um Cinismo Sem Mimimi, não posso deixar de balançar minha cabeça com desaprovação.
Antigamente, éramos criaturas simples, acostumadas a sentir o toque da grama sob nossos pés, a brisa acariciar nossos rostos e a conversa olho no olho com nossos semelhantes. Agora, essas experiências foram substituídas por telas brilhantes e interfaces frias. O ato de olhar para o horizonte foi trocado por deslizar o dedo em uma tela, como se fôssemos apenas marionetes digitais.
A tecnologia, que prometia nos libertar, tornou-se nossa nova prisão. Passamos horas intermináveis catando migalhas de entretenimento nas redes sociais, como ratos em busca de um pedaço de queijo virtual. Nossa atenção é constantemente dividida, nossa capacidade de concentração comprometida, e nossa saúde mental sofre em silêncio.
E então veio a pandemia, como um soco no estômago de uma sociedade já enfraquecida. As restrições nos forçaram a nos refugiar ainda mais em nossos mundos digitais, enquanto a realidade escorregava entre nossos dedos como areia fina. O isolamento social tornou-se um isolamento digital, onde as conexões humanas foram substituídas por chamadas de vídeo e mensagens de texto.
A saúde física também sofreu. Com a conveniência da entrega em casa, muitos de nós abandonaram a prática de atividades físicas e abraçaram uma vida sedentária. O resultado? Corpos enfraquecidos, ganho de peso e uma sensação de letargia que paira sobre nós como uma nuvem escura.
É como se estivéssemos vivendo em um episódio interminável de uma série distópica, onde a tecnologia se tornou nossa mestra e a pandemia, sua cúmplice. E eu, um observador solitário só posso lamentar essa dança sombria que a humanidade abraçou.
No entanto, há uma pequena esperança que queima como um fio de cigarro no canto dos meus lábios ressecados. Talvez, um dia, despertemos desse pesadelo digital e redescubramos a beleza do mundo real. Talvez, um dia, nos reconectemos com nossos próprios corpos e com aqueles ao nosso redor, olhando além das telas brilhantes e dos feeds infinitos. Até lá, eu continuo testemunhando essa triste dança da humanidade, torcendo para que um dia encontremos o ritmo certo novamente, mas eu vou continuar fazendo do mundo o meu playground.
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