Uma jornalista começando sua carreira, numa emissora de TV que acabava de ser inaugurada. A pauta: entrevistar Raul Seixas.
40 anos depois, Mônica Pontalti revisita suas memórias sobre uma entrevista histórica feita em 1983, quando Raul lançava um novo disco e seu primeiro livro, "As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor".
Imagens:
Acervo Kika Seixas
TV Manchete
TV Globo
Edição:
João Antonio Franz
Design:
Caio Eanes
Pesquisa:
Guilherme Oliveira
Acervo de fotos:
Mônica Pontalti
Acervo de Jornais e Revistas:
Fábio Marckezini
Agradecimentos:
Kika Seixas
Vivi Seixas
Sylvio Passos
00:00 Mônica Pontalti
02:20 A entrevista
06:22 Raul hoje
Olá pessoal! Hoje vou compartilhar com vocês uma experiência incrível que tive durante a minha carreira como jornalista. Na época, eu estava fazendo uma especialização em TV e tive a oportunidade única de entrevistar o lendário Raul Seixas. Vamos voltar no tempo e relembrar esse momento especial.
Lembro-me claramente quando fui informado sobre essa oportunidade. Fui indicado para entrevistar Raul Seixas pela equipe de professores da minha especialização em TV. Fiquei extremamente empolgado com a notícia e imediatamente comecei a me preparar para a entrevista. Como não havia uma pauta detalhada, busquei algumas informações sobre o artista, mas, no fundo, sabia que teria que confiar no meu instinto jornalístico.
O dia da entrevista chegou e eu estava extremamente ansioso. Recebi a ligação para estar no local às 10h da manhã, pois a entrevista aconteceria ao meio-dia. Acompanhado de um cinegrafista e um técnico de áudio e iluminação, fui até a casa de Raul Seixas, que funcionava como sede da TV Manchete.
Ao chegar à casa de Raul Seixas, fiquei surpreso com a simpatia e a disponibilidade do artista. Ele foi extremamente generoso com o seu tempo e me deixou muito à vontade para conduzir a entrevista. Durante todo o encontro, percebi que os membros da equipe técnica estavam completamente encantados e hipnotizados pela presença de Raul. Eles não conseguiam tirar os olhos dele.
Para evitar qualquer contratempo, eu decidi fazer a entrevista segurando uma caneta, o que me deixou mais confortável. No entanto, em um momento de descuido, acabei derrubando o violão de Raul. Fiquei envergonhado e preocupado, mas ele rapidamente me tranquilizou e um dos membros da equipe pegou o violão e o colocou de volta no lugar. Raul demonstrou uma gentileza e compreensão admiráveis.
Após a entrevista, saí da casa de Raul Seixas com a sensação de dever cumprido. No entanto, estava apreensivo em relação à edição da matéria. Trabalhávamos em uma rede de TV bastante elitista, que costumava cortar muitas partes das entrevistas. Mesmo tendo realizado uma entrevista longa e profunda com Raul, sabia que o resultado final poderia ser bem diferente do que esperávamos.
Algum tempo depois, Raul Seixas lançou um livro e um disco que marcaram o seu retorno à cena musical após dois anos de ausência. O álbum incluía uma música chamada "DDI", que narrava um Deus D para a Terra cercado por dois demônios. Essa canção gerou muita polêmica e intrigou os fãs, que aguardavam ansiosamente o lançamento.
Em uma entrevista, Raul explicou que esse disco era uma coleção de momentos de sua vida, desde os mais alegres até os mais tristes. Ele mencionou que o nome do álbum, "Raul Seixas", refletia a sua natureza esquizofrênica e a diversidade de sentimentos presentes nas músicas.
Para promover o disco, Raul foi capa da revista Planeta, que anunciava: "Compre esse disco e descubra o segredo do universo". Essa campanha publicitária gerou grande expectativa e despertou a curiosidade do público.
Com o lançamento do livro e do disco, Raul Seixas começou a conquistar uma legião de fãs fervorosos. Sua popularidade cresceu ainda mais quando ele iniciou uma série de apresentações ao vivo. Durante os shows, Raul era abordado por mães com crianças com deficiência, que imploravam para que ele fizesse uma pequena apresentação e beijasse as crianças, na esperança de que isso as curasse. Essa situação se tornou um desafio para Raul, que se sentia pressionado e desconfortável.
Ele deixou claro que não era um líder de nenhum movimento e que se considerava um individualista. Raul sempre foi uma figura única na música brasileira, nunca pertencendo a grupos ou seguindo tendências. Sua autenticidade e originalidade o tornaram um ícone atemporal.
Durante a entrevista, Raul Seixas mencionou que tinha uma grande admiração por Elvis Presley e Luiz Gonzaga. Para ele, esses dois artistas eram almas gêmeas em termos de influência e importância em sua vida. Raul via conexões entre o rock de Elvis e o baião de Gonzaga, destacando a malícia presente nas letras de ambos.
O legado de Raul Seixas
Raul Seixas foi muito mais do que um cantor e compositor. Ele foi um pensador e um revolucionário que desafiou as convenções e questionou o status quo. Sua música e suas letras continham mensagens profundas, que ainda ecoam na sociedade atual.
Apesar de ter falecido precocemente, aos 44 anos, Raul Seixas deixou um legado duradouro para a música brasileira. Sua personalidade única e suas composições inovadoras continuam inspirando artistas e fãs de todas as idades. Raul Seixas foi e sempre será um ícone da música brasileira.
A entrevista com Raul Seixas foi uma experiência inesquecível e uma oportunidade única na minha carreira como jornalista. Espero que vocês tenham gostado de relembrar esse momento especial comigo. Fiquem ligados para mais histórias emocionantes como essa!
