Como João Figueiredo morreu?
João Baptista de Oliveira Figueiredo, conhecido como João Figueiredo, foi o último presidente do período militar no Brasil, governando o país de 1979 a 1985.
João Figueiredo nasceu em 15 de janeiro de 1918, no Rio de Janeiro, filho de Euclides Figueiredo, um general do Exército, e de Ana Emília Batista.
Desde cedo, ele demonstrou interesse pela carreira militar, seguindo os passos do pai, iniciando sua carreira militar aos onze anos, quando obteve o primeiro lugar no concurso para o Colégio Militar de Porto Alegre, e logo em seguida transferiu-se para o Colégio Militar do Rio de Janeiro.
Ele foi escolhido pelo presidente Ernesto Geisel para ser o seu sucessor, como parte do processo de abertura política gradual iniciado pelo regime militar. Ele assumiu a presidência em 15 de março de 1979, sendo o último presidente do ciclo militar.
Ao assumir o cargo, Figueiredo deu continuidade ao processo de "distensão" iniciado por seu antecessor, Ernesto Geisel. Ele adotou medidas para promover a abertura política, como a flexibilização da censura e a concessão de anistia a presos políticos. Essas ações buscavam aliviar as tensões e permitir maior liberdade de expressão no país.
Durante seu governo, o Brasil enfrentou uma crise da dívida externa, inflação galopante e problemas estruturais. Para tentar controlar a inflação, Figueiredo implementou políticas de austeridade, conhecidas como "Plano Figueiredo". Essas medidas incluíam cortes de gastos públicos e controle monetário, mas infelizmente resultaram em aumento da pobreza e do desemprego, afetando a qualidade de vida da população.
Um fato marcante em seu tempo de governo, foi as grandes manifestações ocorridas em todo o Brasil. Essas manifestações ficaram conhecidas como "Diretas Já". Esse movimento, que clamava por eleições diretas para a presidência, ganhou força e expressão em todo o país. Embora Figueiredo inicialmente tenha se oposto ao movimento, a pressão popular o levou a apoiar a Emenda Constitucional Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas. Infelizmente, a emenda foi rejeitada pelo Congresso Nacional, mas o movimento teve um impacto profundo na conscientização política e na busca pela democracia.
Apesar dos desafios enfrentados, a presidência de João Figueiredo marcou o início da transição para a democracia no Brasil. Ele desempenhou um papel crucial ao permitir uma maior abertura política e ao enfrentar pressões internas e externas para o estabelecimento de eleições diretas.
Ele deixou o cargo em 15 de março de 1985, passando a faixa presidencial para Tancredo Neves, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral.
Após sua saída da presidência, João Figueiredo enfrentou vários problemas de saúde, que deixaram sua qualidade de vida bastante prejudicada.
Em 1995 o ex-presidente, começou a enfrentar problemas em seus rins , e precisou realizar diálise para filtrar o sangue. Ele também foi submetido a uma operação para tentar eliminar um aneurisma da artéria aorta. Como consequência ele quase perdeu a totalidade da visão, e suas dores de coluna começaram a ficar cada vez mais insuportáveis.
Já prevendo o final de sua vida, João Figueiredo tinha o desejo de realizar uma autobiografia falando sobre seu tempo na presidência, porém ele nunca conseguiu colocar para frente esse projeto.
Nos seus últimos anos de vida, João Figueiredo começou a se deslocar apenas com ajuda de uma cadeira de rodas, e passou a não reconhecer mais as pessoas, porém sua memória para os fatos ocorridos em sua vida ainda estivessem muito boas.
Durante a madrugada do dia 24 de dezembro de 1999, João Figueiredo veio a falecer enquanto dormia em seu apartamento, no bairro de São Conrado, na Zona Sul do Rio. Ele passou mal durante a madrugada e seus familiares chegaram a chamar o médico, mas o ex-presidente não resistiu a uma parada cardíaca e faleceu às 9h30. Ele estava com 81 anos de idade.
Ele foi enterrado no cemitério São Francisco Xavier, na zona portuária do Rio de Janeiro, com honras militares de chefe de Estado. Durante seu funeral poucos políticos apareceram, e o presidente da república em exercício na época, Fernando Henrique Cardoso foi representado pelo general Gleuber Vieira.
Sua presidência marcou o fim da ditadura militar no Brasil e o início de um processo de redemocratização, que se consolidou nos anos seguintes, seu legado político e histórico continua sendo objeto de debates e reflexões no país.
E foi assim que João Figueiredo morreu.
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