As espadas dos oficiais sairam das bainhas e ameaçaram de morte o miserável assassino, que deveu a sua vida ao Sr. Presidente da República, que declarou que o assassino pertencia à Justiça.
Era uma hora e cinco minutos da tarde. Toda essa cena, rápida, mais rápida do que o tempo que gastamos em descrevê-lo, passou-se sob uma amendoeira que defronta com o portão da Minerva.
Três minutos depois era cadáver o Sr. Marechal Carlos Machado Bittencourt que foi conduzido nos braços de diversos oficiais e paisanos para a sala das entradas, da Intendência da Guerra, de onde mais tarde foi transportado para a capela do Arsenal. O seu cadáver está coberto com a bandeira nacional, e diversos amigos e parentes velam à sua cabeceira.
O Sr. Coronel Mendes de Moraes foi conduzido para a sua casa em padiola, carregado por 4 oficiais e acompanhado por uma força do 10o batalhão.
O assassino, bastante machucado, em conseqüência da resistência oposta no ato da prisão, foi recolhido ao xadrez do arsenal, onde está incomunicável." - Cidade do Rio, 5 de novembro de 1897.
"A 1 hora da tarde foi apunhalado no Arsenal de Guerra, por ocasião do desembarque do general Barbosa e dos batalhões que voltavam de Canudos, o Sr. Marechal Carlos Machado Bittencourt, Ministro da Guerra. A notícia foi transmitida logo para o quartel-general, de onde partiu imediatamente o Sr. Cantuária.
O agressor foi um aspençada do 10o de infanteria. O golpe fora dirigido ao sr. Presidente da República.
O Sr. Ministro da Guerra, porém, antepondo-se ao agressor, foi vítima da fúria deste, que lhe cravou três vezes a arma, uma faca de lâmina fina, no peito, na virilha e em uma das mãos.
Os oficiais do estado-maior do Sr. Presidente da República atiraram-se sobre o soldado e espaldeiraram-no, sendo este preso pelo alferes Murat. Seguiu-se um tumulto extraordinário. Consta ter sido ferido o coronel Mendes de Moraes.
O marechal Bittencourt foi transportado para a arrecadação do Arsenal pelo tenente-coronel Bittencourt do 1o e alferes Gonçalves, do 23o, onde expirou momentos depois; sendo conduzido mais tarde para a capela do mesmo edifício.
Ao saber-se na Câmara do acontecimento em virtude do qual faleceu o Sr. Ministro da Guerra, a sessão foi suspensa e mais tarde levantada, depois de falarem os srs. Irineu Machado, Nilo Peçanha, Serzedello, Augusto Montenegro e Arthur Rios.
Foi nomeada uma comissão de vinte e um membros, representando os estados da União, para comparecer aos funerais. Não haverá sessão noturna." Folha da Tarde, 5 de novembro de 1897.
"Não podia ser mais profunda nem mais dolorosa a impressão produzida no espírito público pelo ignobil atentato que teve ontem por teatro o arsenal de Guerra. Um grito de justa indignação percorreu a cidade, e cobriu-se a alma nacional de luto diante do pavoroso crime.
Um soldado, mentindo à honra de sua farda e conspurcando as tradições gloriosas do exército brasileiro, ousou erguer o braço homicida contra o honrado chefe do Estado, que encarna a soberania nacional, e, como lhe falhasse este golpe, tirou a vida ao ilustre general Carlos Machado Bittencourt - um benemérito da pátria, brasileiro dos mais dignos do respeito e da estima de seus cocidadãos. (...)" Gazeta de Notícias, 6 de novembro de 1897.
